O Tesouro de Algarve

 

Quando eu era criança – e isso já faz tanto tempo que parece que aconteceu em uma outra vida – uma das minhas brincadeiras preferidas era escavar os jardins das casas por onde moramos.

Na minha imaginação, eu iria encontrar vários tesouros, claro. Nunca os encontrei.

Na prática, minhas buscas serviram para matar muitas das plantas da minha finada tia ou para machucar as pontas dos meus dedos, um sem-número de vezes, nos cacos de vidro perdidos no jardim. Também aproveitei, em mais de uma oportunidade, para enriquecer minha dieta com o ferro depositado no solo: sim, eu comia terra – hoje, comenta-se que o hábito de comer terra pode ter relação com a ausência desse micronutriente na alimentação.

No meu caso, esse entendimento nutricional, se for verdadeiro, é perfeitamente aplicável: do que eu me lembre, não foram raras as refeições da minha infância nas quais não havia proteína de origem animal. Por comer terra, consequentemente, eu tive verminose mais de uma vez – daí que eu também tinha uma barriga enorme.

Acontece que certos hábitos nunca morrem. Eu até retirei a terra do meu cardápio, mas ainda tenho uma barriga enorme (porém, por outros motivos) e sigo acreditando em tesouros escondidos no chão.

Nisso, minha casa atual muito contribui: ela fica no centro da cidade de Itanhaém – uma localidade que respira história em cada um de seus muitos tijolos. E, para meu delírio ficar completo, basta acrescentar o fato de que minha casa é um imóvel com mais de 100 anos de ocupação, às margens da antiga estrada de ferro – olha o mineral de novo na minha insípida biografia!

Então, cada vez que eu cavo uma cova para colocar uma mudinha de planta, além de me lembrar da minha saudosa tia e me desculpar mentalmente por todas as plantinhas inocentes que assassinei na infância, eu também aproveito para dar uma esperançosa espiadela no buraco: vai que, no meio da terra e das pedras, apareça algum objeto redondo e brilhante – encontrar uma moeda de ouro seria a glória do meu jardim!

Esse devaneio todo se dá porque sou um sujeito irremediavelmente prolixo. O que eu quero de fato falar é sobre o lançamento de um livro cuja história se passa aqui em Itanhaém, quase o tempo todo no centro da cidade e, portanto, bem pertinho de onde eu moro.

É uma narrativa muito interessante, que foi magistralmente tecida por um colega docente – o qual, sem dúvida, aproveitou todo o seu sólido conhecimento de geografia e história para distribuir sua criação por vários pontos da cidade. Penso que sua experiência como professor também deve ter-lhe sido muito útil para capturar a essência dos seus personagens principais: moças e rapazes, com toda a energia da adolescência, que se lançam na frenética busca por um tesouro lendário – daí o livro se chamar “O Tesouro de Algarve”.

A coisa toda não fica só nisso: acontece que meu amigo Everton Ilkiu me encarregou da honrosa tarefa de fazer a revisão do seu texto – um encargo que eu certamente poderia ter desempenhado melhor se minha atenção não tivesse sido fisgada, mais de uma vez, pela excelente narrativa por ele empreendida. Assim, ao longo dos capítulos, meus vacilos gramaticais foram tantos que eu decididamente deveria voltar a comer terra, junto com muito capim, só para purgar por todos eles. Dá para fazer uma verdadeira caça ao tesouro só com as vírgulas que devem estar fora do lugar! Misericórdia...

O livro, graças aos céus, consegue superar esses meus pecados de revisor, de modo que o leitor benevolente (e de todas as idades) poderá encontrar, em suas 134 páginas, um bom par de horas de pura diversão e saboroso conhecimento – habilmente misturados pelo astuto e criativo autor.

Serviço:

O Tesouro de Algarve
Everton Ilkiu
Disponível na Amazon

 

 


Comentários

  1. 👏👏👏 Continue procurando, um tesouro escondido você vai encontrar.

    ResponderExcluir
  2. Jorge parabéns pelas empreitadas! Tenho certeza que você pode encontrar seu tesouro, só está procurando no lugar errado, pois ele existe dentro de você, não acha?
    Aliás, quando teremos a satisfação em ler o seu livro e nos mostrar esse talento escondido?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Esse negócio de escrever livro é muito complicado. Eu não tenho assunto para passar da terceira página... 😊

      Excluir
  3. Confesso que tb já comi muita terra, busquei tesouros e cuidei de muitas plantinhas. Vou divulgar o livro do nosso amigo e desfrutar da leitura. Obrigada pela indicação.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acho que até vou procurar na internet para ver se encontro alguma receita de bolo usando terra 😁

      Excluir
  4. Jorge, que texto sensível! Incrível e admirável sua capacidade de nos levar a uma viagem através das palavras. Parabéns!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigadão, Kermerson. E, se você curte viajar nos livros, não deixe de ler "O Tesouro de Algarve". 😊

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Verão Náutico de Itanhaém

Neobandeirante